Rexik e Trika
A barulhenta Trika chama Rexik para brincar de esconde-esconde e não consegue achá-lo de jeito nenhum, mesmo com ele o tempo todo pertinho dela.
Série “Rexik” · história 1 de 9
Desenhos para colorir desta história
- Uma história tranquila
Era uma vez, no Vale das Samambaias, um pequeno tiranossauro chamado Rexik. Ele adorava procurar tesouros: peninhas, conchinhas, pedrinhas. Mas um amigo ele ainda não tinha encontrado.
Um dia, Rexik estava sentado na beira do rio, olhando as pedrinhas. De repente, crec, crec! Uma tricerátops lilás pulou de dentro das samambaias. Tinha uma golinha amarela como o sol e três chifrinhos na testa.
— Oi! Eu sou a Trika! — gritou ela, tão alto que os sapos pularam todos na água. — Vamos brincar de esconde-esconde! Você conta!
— Melhor não, né? — perguntou Rexik.
— Primeiro eu faço, depois eu penso! — riu Trika, e saiu correndo.
Trika corria rápido. Pisava com força. E nunca, nunca olhava para trás: afinal, o que vem pela frente é sempre mais interessante!
Rexik fechou os olhos e contou até dez. Abriu. Ninguém. Só que atrás das samambaias tinha uma coisa amarela aparecendo. Uma golinha amarela, com bolinhas laranja.
Rexik cheirou: snif, snif. Cheirinho de samambaia e de Trika.
— Achei!
— Ai! — Trika pulou para fora. — Como você adivinhou?
— Pelo nariz — disse Rexik. Sobre a golinha, ele não disse nada.
Na segunda vez, Trika se escondeu atrás de uma pedra bem grande. E, por cima da pedra, a golinha amarela.
Snif, snif.
— Achei!
Na terceira vez, ela se enfiou num tronco velho e oco. E, saindo do tronco, a golinha amarela.
Snif, snif.
— Achei!
— Mas como?! — Trika bateu o pé.
— Os tiranossauros têm o melhor faro do mundo — explicou Rexik. — A gente sente cheiro de longe, bem de longe.
E é verdade: com o nariz, um tiranossauro percebia até o que os olhos dele não conseguiam ver.
— Agora sou eu que conto! — anunciou Trika. Ela encostou a cara na pedra e berrou: — Um! Dois! Três!...
Rexik ficou rodando no lugar. Onde é que ele ia se esconder? Atrás das samambaias, o rabo ia ficar de fora. No tronco ele não cabia.
— E se eu nem me esconder? — sussurrou ele.
E, bem quietinho, ficou parado logo atrás das costas da Trika. Agachou-se na sombra da golinha enorme dela.
— ...Dez! Lá vou eu!
Trika espiou embaixo das samambaias. Nada. Tum-tum, foi atrás da pedra. Nada. Enfiou o nariz no tronco. Nada!
E Rexik ia atrás dela. Passinho por passinho. Ela fazia tum, e ele fazia tum. Ela parava, e ele parava.
No chão, perto do pé dele, brilhou uma pedrinha listrada, laranja e branca. Rexik se abaixou e pegou a pedrinha bem devagarinho. Trika não ouviu nada. Ela estava ocupada gritando:
— Rexiiik! Cadê vocêêê?
Procurou na beira do rio. Procurou nas moitas. Até olhou para o céu: vai que ele sabe voar? Mas para trás ela não olhou nem uma vezinha.
— Desisto! — gritou Trika, finalmente, e caiu na grama, pof!
— Estou aqui — disse Rexik, bem atrás dela.
— Aaaaah! — Trika deu um pulo mais alto que as samambaias. Virou-se. Piscou. — Você... você estava aqui o tempo todo?
— Uhum. Você não olhou para trás nem uma vez.
Trika caiu na gargalhada, tanto que tombou de costas e ficou sacudindo as perninhas no ar.
— Ai, não aguento! Seu Melhor-Não! Seu Melhor-Não espertinho! Amanhã a gente brinca de novo!
— Melhor não, né? — sorriu Rexik.
— Melhor sim!
À noite, Rexik voltou para casa.
— E então, arrumou uma amiguinha? — perguntou a mamãe.
— Como você sabe?
— Os ouvidos da mamãe escutam tudo — sorriu a mamãe. — E a Trika dá para ouvir lá do outro lado do rio.
Rexik colocou a pedrinha listrada na prateleira. Era o primeiro tesouro que ganhou da nova amiga. Depois, se aconchegou no ninho.
Amanhã, com certeza, a Trika vai olhar para trás.
Ou talvez não.





