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Histórias

Timko no médico

O ouriço Timko assusta a irmãzinha Lili com histórias de medo sobre o médico e depois vai ele mesmo à consulta e à vacina com o doutor Castor.

Série “Timko” · história 4 de 9

  • Um pouco assustador
Para os pais

Era uma vez, no Bosque dos Carvalhos, um ouriço chamado Timko. Com ele morava sua irmãzinha Lili. Ela já sabia engatinhar e agarrava tudo o que via.

Naquela manhã, Lili engatinhou até Timko — e zás, beliscou a orelhinha dele!

— Ai! — guinchou Timko. Mas, um instante depois, já estava rindo: — Já nem dói mais!

— Timko — disse mamãe —, depois do café da manhã vamos ao doutor Castor. Ele vai examinar você e dar uma vacina.

Vacina é uma picada. Timko franziu a testa. Picada é agulha. E como será essa agulha? Timko não sabia, e por isso dava ainda mais medo.

Mamãe amarrou o avental azul.

— Vou assar uma torta, por via das dúvidas.

Enquanto mamãe amassava a massa, Timko entrou debaixo da mesa com Lili.

— Lili — sussurrou ele com voz de susto —, o doutor Castor é enorme! Os dentes dele são deste tamanho! E a agulha é como um pau! Se ele te picar, você vai chorar até de noite!

Lili arregalou os olhinhos. O lábio dela tremeu.

— Não, não! — guinchou e engatinhou até mamãe depressinha, tanto que a touquinha escorregou para o lado.

Timko ficou com um pouco de vergonha. E com um pouco de medo também. E se a agulha fosse mesmo como um pau?

O hospital da floresta ficava num tronco velho, com janelinhas redondas e musgo verde no telhado. O doutor Castor veio recebê-los: grande, castanho, de jaleco branco.

— Bom dia, Timko. Primeiro vamos ver quanto você cresceu.

Timko encostou na parede — nossa, mais alto que na primavera! Depois subiu na balança — nossa, mais pesado!

O doutor encostou o estetoscópio no peito de Timko.

— Ai, que frio! — estremeceu Timko.

— É frio mesmo — concordou o doutor. — Já já esquenta. Respire fundo. Agora diga “aaa”.

— Aaaaa! — disse Timko tão alto que o doutor sorriu por baixo do bigode.

— Agora a vacina. Ela ensina o seu corpo a reconhecer a doença. Se ela vier um dia, o corpo vai dizer: “Eu conheço você!” — e vai expulsá-la depressa.

— Vai doer? — sussurrou Timko.

— Vou falar a verdade: vai doer um pouquinho. Como se alguém te beliscasse. E logo passa.

Mas Timko lembrou da sua agulha-pau. E — zuum! — se enrolou feito uma bolinha. Só os espinhos para fora.

O doutor Castor não tinha pressa. Sentou ao lado dele e esperou. Mamãe achou entre os espinhos a patinha de Timko e segurou.

Timko espiou com um olho. Fungou com o narizinho.

— Inspira, expira… e vamos lá!

Não ajudou muito. Ele inspirou mais uma vez. E mais outra. E por fim ofereceu o ombrinho.

Beliscão! — e acabou.

— Só isso? — espantou-se Timko. — É igualzinho a quando a Lili beliscou minha orelha!

O doutor colou nele um curativo em forma de cruz.

— O machucadinho pode doer um pouco por um dia. Não tem problema, isso acontece.

Em casa, o cheiro era de torta de maçã. Timko entrou correndo na cozinha.

— Lili! Olha, eu tenho um curativo! A agulha era pequenininha, deu um beliscão e pronto! Não é nada assustador!

Lili olhou o curativo — e se escondeu atrás do avental da mamãe.

— Não, não! — guinchou.

— Mas é verdade! — disse Timko.

Só que Lili se agarrou ainda mais forte ao avental da mamãe.

— Semana que vem a Lili também vai ao doutor — disse mamãe baixinho, afagando a pequena. — Ai, ai, vamos demorar para convencer essa mocinha.

O papai levou Timko até a régua de altura no batente da porta.

— Cadê o meu lápis?

Timko apontou para a orelha do papai. Papai traçou um risquinho e, ao lado, desenhou uma cruzinha de curativo bem pequenininha.

O ombro sob o curativo doía um pouquinho, como o doutor tinha dito. E, de trás do avental da mamãe, dois olhinhos assustados olhavam para Timko.

Timko inventou a história de assustar em um minutinho. Mas, para Lili voltar a acreditar nele, um minuto era pouco.

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Uma história original escrita para este site.

Para os pais

Sobre o que é a história

Um conto para a criança antes de uma consulta ou de uma vacina. Ele diz com sinceridade como vai ser: o estetoscópio é frio, é preciso dizer “aaa”, e a picada belisca um instante e logo passa. As crianças se reconhecem no Timko, que inventou uma história de medo, e no calmo doutor Castor.

O que ensina

  • Honestidade
  • Coragem

Perguntas para conversar com a criança

  • Por que o Timko se enrolou numa bolinha no médico? O que deu mais medo: a picada ou a história que ele inventou?
  • Por que a Lili não acreditou no Timko quando ele disse que não era nada assustador?
  • E você, o que sente quando vai ao médico? O que ajuda você?

Em casa

Brinquem de doutor Castor: a criança ouve seu coração com um tubo de papel, pede para você dizer “aaa”, belisca de leve o ombro e cola um “curativo” de papel. Depois troquem de papel.

Uma frase para lembrar

“Vou falar a verdade: vai doer um pouquinho. Como se alguém te beliscasse. E logo passa.”

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