As doze princesas dançarinas
Com uma capa que o deixa invisível, um velho soldado segue doze princesas por bosques encantados e descobre onde elas gastam os sapatos toda noite.
- Um pouco assustador
- Um pouco triste
Era uma vez um rei que tinha doze filhas, cada uma mais bonita que a outra. Elas dormiam num quarto grande, com as camas lado a lado. Toda noite o próprio rei trancava a porta à chave. E toda manhã, que coisa mais estranha, ao lado de cada cama havia sapatinhos gastos até furar.
— Por onde vocês andaram? — perguntava o rei.
— Por lugar nenhum, papai — bocejavam as princesas. — Estávamos dormindo.
O rei coçava a cabeça debaixo da coroa. Não havia sapato que chegasse! Então mandou anunciar por toda parte: quem descobrisse onde as princesas dançavam à noite poderia escolher uma delas para esposa e seria rei depois dele. Mas quem vigiasse três noites sem descobrir nada voltaria para casa de mãos abanando.
Vieram príncipes. Sentavam-se no quartinho ao lado do quarto das princesas, vigiavam… e pegavam no sono. Roncavam tão alto que as vidraças tremiam. E de manhã os sapatinhos estavam furados de novo. Envergonhados, os príncipes montavam nos cavalos e iam embora.
Um dia, um velho soldado vinha pela estrada. O serviço dele tinha terminado, a perna tinha sido ferida na batalha, e no bolso só tinha vento. De repente, viu uma velhinha sentada à beira da estrada com um feixe de lenha.
— Aonde você vai, filho? — perguntou ela.
— Nem eu mesmo sei — sorriu o soldado. — Talvez eu vá até o rei ver onde essas princesas gastam os sapatos.
Ele ajudou a velhinha a pôr a lenha nas costas, e ela ficou ainda mais bondosa.
— Não é nada difícil — disse ela. — Só não beba o vinho que derem a você à noite. Finja que está dormindo profundamente, bem profundamente. — E lhe deu uma capa cinzenta. — Ponha esta capa, e ninguém vai ver você. Aí é só ir atrás delas.
O soldado agradeceu, enfiou a capa debaixo do braço e foi mancando para o palácio.
O rei o recebeu bem: deu-lhe comida, uma camisa limpa e o pôs para passar a noite no quartinho ao lado do quarto das princesas. À noite, a princesa mais velha veio com uma taça.
— Beba, soldado, para dormir bem.
Mas o soldado já tinha amarrado uma esponja debaixo do queixo. Só fingiu que bebia, e o vinho — chuá! — foi direto para a esponja. Deitou-se e começou a roncar: rrr… rrr…
As princesas riram.
— Este também vai dormir a noite toda — disse a mais velha.
Elas se levantaram, abriram baús e armários, vestiram os vestidos mais bonitos e rodopiaram diante dos espelhos. Só a caçula suspirou:
— Estou meio inquieta. Parece que alguma coisa vai acontecer.
— Ai, você sempre tem medo — disse a mais velha, abanando a mão. — Olhe só como ele ronca.
Ela bateu na cama — toc, toc, toc! — e a cama afundou no chão. Lá embaixo havia uma escada que descia para o escuro. Uma depois da outra, as princesas sumiram pela abertura.
O soldado jogou a capa nos ombros, e pronto: cadê o soldado? Foi atrás delas bem de mansinho. Na escada, sem querer, pisou na barra do vestido da caçula.
— Ai! — guinchou ela. — Alguém puxou a minha saia!
— Você deve ter enganchado num prego — disse a mais velha.
Lá embaixo havia um bosque. As árvores eram de prata, e as folhas também: blim-blem com a brisa. O soldado pensou: “Preciso levar alguma coisa como prova.” E quebrou um raminho. Crec!
— Ouviram isso? — assustou-se a caçula.
— São os nossos príncipes batendo palmas de alegria — respondeu a mais velha.
Mais adiante havia um bosque de ouro, com folhas que brilhavam como o sol da manhã. E depois dele, um de diamante: cada folhinha cintilava como uma gota de orvalho. Lá também o soldado quebrou um raminho de cada. Crec! Crec! A caçula dava um pulo a cada vez, mas a mais velha só ria.
E então chegaram a um lago. Na margem balançavam doze barquinhos, e em cada um estava sentado um belo príncipe. Cada princesa entrou no barco do seu, e o soldado entrou no da caçula.
— O barco está pesado hoje — bufava o príncipe, puxando os remos com força. — Eu remo, remo, e ele mal sai do lugar.
— Deve ser o calor — disse a caçula. Ela mesma estava estranhando.
Na outra margem brilhava um palácio, e das janelas vinha música: trombetas e violinos, tambores e flautas. As princesas começaram a dançar. Rodopiavam, pulavam, batiam os pés: tum-tum, tum-tum! O soldado de capa também dançava um pouquinho no cantinho. Quando a caçula pousou sua taça, ele a pegou e bebeu o vinho até a última gota. Ela olhou, e a taça estava vazia.
— Ai! Quem bebeu o meu vinho?
— Foi você mesma, e esqueceu — riram as irmãs.
Dançaram até o terceiro canto do galo, até os sapatinhos ficarem furados. Então os príncipes levaram as princesas de volta. Eles nem desceram dos barcos: acenaram para as princesas e remaram para o seu palácio. Dessa vez o soldado sentou no barco da mais velha. Na margem, ele saiu na frente, subiu a escada depressa, tirou a capa e se deitou. Quando as princesas voltaram, mortas de cansaço, do quartinho vinha: rrr… rrr…
— Viu só? — disse a mais velha. — Não tem nada a temer.
Foi assim também na segunda noite, e na terceira. E na terceira noite o soldado ainda trouxe do palácio uma taça de ouro.
De manhã, chamaram o soldado à presença do rei. As princesas estavam atrás da porta, cochichando: agora este também vai dizer que não viu nada.
— E então — perguntou o rei —, onde as minhas filhas dançam à noite?
— Num palácio debaixo da terra, com doze príncipes — respondeu o soldado. E pôs na mesa um raminho de prata, um de ouro, um de diamante e, ao lado, a taça.
O rei chamou as filhas. Elas olharam e ficaram vermelhas até as orelhas. O que iam dizer? Tiveram que confessar.
— Qual delas você quer como esposa? — perguntou o rei.
— Já não sou nenhum mocinho — sorriu o soldado por baixo do bigode. — Então me dê a mais velha.
A mais velha primeiro fez bico, mas depois também caiu na risada:
— Você é esperto, soldado. E corajoso também.
No mesmo dia fizeram o casamento. A cama nunca mais afundou no chão, por mais que se batesse nela, e a escada para baixo sumiu como se nunca tivesse existido.
E os doze príncipes ficaram lá embaixo. Estavam enfeitiçados, por isso nunca subiam. Toda noite eles se sentavam nos barquinhos e esperavam, mas ninguém mais descia a escada. E agora o feitiço ia prendê-los no palácio subterrâneo por tantos dias quantas foram as noites que eles dançaram com as princesas.
E quantas noites foram? Perguntem ao rei. Ele comprava carroças inteiras de sapatos!





