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Histórias

João e o Pé de Feijão

João troca a vaca por cinco feijões mágicos, sobe pelo pé de feijão até as nuvens e foge de um gigante com uma galinha e uma harpa de ouro.

  • Um pouco assustador
  • Perigoso
Para os pais

Era uma vez uma viúva pobre que morava com o filho, João. Eles não tinham nada além de uma casinha velha e de uma vaca chamada Branquinha. Toda manhã Branquinha dava leite, a mãe levava para o mercado, e era assim que viviam.

Mas, certa manhã, Branquinha não deu nem uma gota.

— O que vamos fazer agora? — chorou a mãe. — Leve a vaca para a feira, João. Vamos vendê-la, e depois a gente pensa em alguma coisa.

— Não se preocupe, mãe — disse João. — Eu vou conseguir um bom preço!

Ele pegou Branquinha pela corda e foi embora. Caminhando pela estrada, de repente veio ao seu encontro um velhinho esquisito. A barba era grisalha, o chapéu, torto, e os olhos, muito, muito espertos.

— Bom dia, João! — disse o velhinho. — Para onde você vai?

— Para a feira, vender a vaca — respondeu João, surpreso. Como o velhinho sabia o nome dele?

— Diga-me uma coisa, você é um menino esperto? Quantos feijões são dois numa mão, dois na outra e um na boca?

— Cinco! — soltou João.

— Acertou! — riu o velhinho e abriu o punho. Na palma da mão havia cinco feijões salpicados, brilhantes como pedrinhas de riacho. — Aqui estão. Dê-me a vaca e os feijões são seus. Não são feijões comuns. Plante à noite, e de manhã eles terão crescido até o céu.

— Sério? — João ficou de boca aberta.

João pensou, pensou, entregou a corda e guardou os feijões no bolso.

João voltou correndo para casa, felicíssimo.

— Mãe, voltei! Olhe o que eu ganhei pela Branquinha!

A mãe olhou para os cinco feijões e levou as mãos à cabeça.

— Ai, João, João! A melhor vaca por um punhado de feijões? Que belo negociante você é!

Ela agarrou os feijões e, zás!, jogou-os pela janela. E mandou João dormir sem jantar. Ele foi para a cama com fome e tristeza.

De manhã, João acordou, e o quarto estava esquisito: verde e escuro, como se alguém tivesse coberto a casinha de folhas. Ele olhou pela janela, e que maravilha! Debaixo da janela crescera um pé de feijão. Grosso como uma árvore, retorcido como uma corda e tão alto que a ponta se escondia nas nuvens.

— O velhinho não me enganou! — sussurrou João.

E começou a subir. Agarrava-se às folhas, apoiava os pés nas gavinhas: mais alto, mais alto, ainda mais alto. A casinha lá embaixo ficou pequena como uma noz e depois sumiu de vez.

Lá em cima, acima das nuvens, corria uma estrada longa e reta. João seguiu por ela e chegou a uma casa enorme. Na soleira estava uma mulher grande, grandíssima.

— Bom dia, senhora — cumprimentou João, com uma reverência educada. — A senhora poderia me dar alguma coisa para o café da manhã? Não como desde ontem.

— Fuja daqui, menino, enquanto é tempo! — disse ela, agitando os braços. — Aqui mora meu marido, o gigante. Ele não suporta meninos. Já, já ele chega!

— Por favor — pediu João. — Estou com tanta fome.

A giganta suspirou, levou-o até a cozinha e lhe deu um pedaço de pão com queijo e uma caneca de leite. João nem tinha comido a metade quando, de repente, bum! bum! bum! a casa inteira estremeceu.

— Ai, meu Deus, é ele! — assustou-se a giganta. — Depressa, para dentro do forno!

Zupt! e João já estava no forno frio, espiando apenas por uma frestinha.

O gigante entrou, tão alto que roçou a cabeça no teto. Farejou o ar e rugiu:

— Fi-fa-fo-fum! Sinto cheiro de menino por aqui, por ali e por algum!

— Ora, que bobagem — disse a mulher, abanando a mão. — Você imaginou. Vá lavar o rosto, que eu sirvo o seu café.

O gigante se lavou, comeu três tigelas de mingau e depois tirou da arca uns saquinhos de ouro. Sentou-se para contá-los: tim, tim, tim... e cochilou. Roncava tão alto que os pratos tilintavam na prateleira.

Devagarzinho João saiu do forno, pegou um saquinho e correu! Pela estrada, até o pé de feijão, para baixo, para baixo e direto até a porta da mãe.

— Mãe, olhe! Esses feijões não eram tão bobos assim!

Viveram muito tempo com aquele ouro. Mas o ouro, como o leite, um dia acaba. E João subiu de novo.

A giganta não queria deixá-lo entrar, mas ele pediu tanto que ela o escondeu outra vez no forno. De novo o gigante chegou, de novo rugiu "Fi-fa-fo-fum!", de novo tomou o café da manhã. E depois gritou:

— Mulher, traga a minha galinha!

Ela pôs na mesa uma galinha ruiva. O gigante disse: "Bote!", e a galinha, có-có-có!, botou um ovo. De ouro! O gigante admirou, admirou e adormeceu.

João saltou do forno, pôs a galinha debaixo do braço e saiu correndo. Daí em diante, ele e a mãe tinham um ovo de ouro toda manhã.

Mas João estava com a curiosidade coçando para ver de novo o que havia lá em cima. Na terceira vez, não foi à casa da giganta, entrou sozinho na casa sem ser visto e escondeu-se num grande caldeirão de cobre.

— Fi-fa-fo-fum! — trovejou o gigante. — Sinto cheiro de menino por aqui, por ali e por algum!

Olhou dentro do forno: vazio. Procurou debaixo da mesa: ninguém. Mas nem olhou para o caldeirão. Sentou-se, comeu e disse:

— Mulher, traga a minha harpa!

Ela trouxe a harpa de ouro. O gigante disse: "Toque!", e a harpa tocou sozinha, tão suavemente que em um minuto o gigante já roncava.

João saiu do caldeirão, agarrou a harpa e correu para a porta. Mas a harpa era mágica e gritou:

— Patrão! Patrão!

O gigante acordou, olhou e viu João já correndo pela estrada com a harpa nos braços.

— Pare! — rugiu o gigante e disparou atrás dele.

Bum! Bum! Bum! A terra sobre as nuvens tremia. João corria o mais que podia, mas o gigante ia alcançando: um passo dele valia dez de João. Ali estava o pé de feijão. João desceu, o gigante atrás. O pé de feijão balançava e rangia, e as folhas voavam para todos os lados.

— Mãe! Mãe! — gritou João lá do meio do pé de feijão. — Traga o machado! Depressa!

A mãe saiu correndo com o machado. João saltou no chão, agarrou-o e zás! Uma vez! Duas vezes! Na terceira: crac!

O pé de feijão balançou, estalou e desabou. E com ele o gigante despencou no chão com tanta força que a terra retumbou. Levantou-se, atordoado, sacudiu as folhas de cima de si e foi embora batendo os pés. Nunca mais voltou.

Daquele dia em diante, João e a mãe nunca mais passaram necessidade. A galinha botava ovos de ouro, a harpa tocava para eles à noite, e na casinha nunca faltavam leite e pão.

E João comprou para a mãe uma vaca nova, branquinha como a Branquinha. E quando os vizinhos riam na feira de que ele um dia dera uma vaca por um punhado de feijões, a mãe só suspirava: — Ah, que mau negócio ele fez naquele dia! Devia ter pedido pela vaca pelo menos seis.

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Inspirado em: Joseph Jacobs, 1890

Para os pais

Sobre o que é a história

Jack troca a vaca por cinco feijões, e numa noite deles nasce um pé que sobe até além das nuvens. Lá em cima mora um gigante com tesouros mágicos. As crianças adoram o trovejante «Fi-fa-fo-fum!», os esconderijos no forno e no caldeirão, e como o pequeno Jack engana o gigante uma e outra vez.

O que ensina

  • Coragem
  • Esperteza
  • Família

Perguntas para conversar com a criança

  • Por que a mãe primeiro ficou brava com João e depois ficou contente? Quem tinha razão?
  • Como João enganou o gigante na terceira vez, quando se escondeu em outro lugar que não o forno?
  • O que você levaria do gigante: o ouro, a galinha ou a harpa? Por quê?

Em casa

Brinquem de esconde-esconde «Fi-fa-fo-fum»: a criança se esconde e vocês, o gigante, pisam forte pela sala e rugem o refrão. Depois troquem de papéis.

Uma frase para lembrar

“Fi-fa-fo-fum! Sinto cheiro de menino por aqui, por ali e por algum!”

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